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CEE/BA

28/12/2018 20:12

CEE/BA manifesta pesar pelo falecimento de Stella de Oxóssi

O Conselho Estadual de Educação da Bahia (CEE/BA) expressa forte sentimento de tristeza pelo falecimento, no dia 27 de dezembro do corrente ano, de Maria Stella de Azevedo Santos, Ialorixá Mãe Stella de Oxóssi, aos 93 anos, na cidade de Santo Antônio de Jesus, no interior da Bahia.

Stella de Oxóssi foi agraciada, recentemente (10/12/2018), pelo CEE-BA, com a Comenda de Honra Professor Felipe Serpa, em reconhecimento às relevantes contribuições desta Griot, para o desenvolvimento da Educação no Brasil e na Bahia.

Formou-se pela Escola de Enfermagem e Saúde Pública, exercendo a função de Visitadora Sanitária por mais de trinta anos. Em 1983, fez seu primeiro pronunciamento público na II Conferência Mundial de Tradição dos Orixás e Cultura, ocorrida em Salvador, quando lançou ideias originais sobre o sincretismo religioso. Stella de Oxóssi também participou da III Conferência Mundial de Tradição dos Orixás e Cultura (1986), em Nova Iorque, nos Estados Unidos.

Em 1987, Mãe Stella integrou a comitiva organizada por Pierre Verger para a comemoração da Semana Brasileira na República do Benin, na África. Sua presença mereceu destaque e a mesma foi recebida com honras de líder religiosa. Em 1999, Mãe Stella conseguiu o tombamento do Ilê Axé Opô Afonjá pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), órgão ligado ao Ministério da Cultura.

Em 2001, ganhou o prêmio jornalístico Estadão na condição de fomentadora de cultura. Em 2009, ao completar setenta anos de iniciação no Candomblé, recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade do Estado da Bahia. Era detentora da comenda Maria Quitéria (Prefeitura do Salvador), Ordem do Cavaleiro (Governo da Bahia) e da comenda do Ministério da Cultura.

Aos 88 anos e com sete livros publicados, foi eleita por unanimidade, para a Academia de Letras da Bahia onde tomou posse em 12 de setembro de 2013 e ocupava a cadeira 33, cujo patrono é o poeta Castro Alves. Primeira liderança do Candomblé a realizar este feito, ela se sentaria ao lado de escritores como José Carlos Capinan, Cid Teixeira, Consuelo Pondé, Edivaldo Boaventura, entre outros. Mãe Stella é um símbolo no combate à intolerância religiosa, de gênero e geração. É um exemplo vivo da luta e resistência dos descendentes de africanos no Brasil.

Doutora por méritos de sua trajetória inabalável, Mãe Stella contribuiu significativamente com a educação na Bahia e no Brasil. Dentre seus feitos, destaca-se a fundação da Escola Eugênia Anna dos Santos, referência na implantação das Leis 10.639/03 e 11.645/08 que determinam a obrigatoriedade do Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira, Africana e Indígena na Educação Básica. A escola começou suas atividades em 1978 com o nome de Mini Comunidade Obá Biyi. Neste período, funcionava como uma creche para crianças com idade entre 6 meses e 5 anos. O projeto pedagógico da Escola associa a construção e socialização do conhecimento com a preservação da identidade dos Afrodescendentes. Graças aos esforços da Doutora Iyalorixá Stella de Oxóssi, a proposta inovadora tornou-se escola de 1ª à 4ª série do Ensino Fundamental com o nome de Escola Eugênia Anna dos Santos, em homenagem à primeira Iyalorixá e fundadora do Terreiro Ilê Axé Opó Afonjá (Mãe Aninha).

Suas publicações e conferências tem contribuído muito para a implantação das Diretrizes Curriculares para Educação das Relações Étnico Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana.

Adepta de uma pedagogia que prima pelos direitos humanos, especialmente pela a liberdade de expressão e manifestação, Mãe Stella de Oxóssi, fez jus à Comenda de Honra Professor Felipe Serpa, concedida pelo Conselho Estadual de Educação da Bahia.
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