• Banner Agende Atendimento Presencial

CEE/BA

24/11/2021 13:11

CEE-BA reafirma a luta por uma educação antirracista em sessão plenária na Senzala do Barro Preto

“A educação da Bahia tem um desafio concreto: enfrentar o racismo em seu sistema”, disse o presidente do Conselho Estadual de Educação da Bahia (CEE-BA), Paulo Gabriel Nacif, ao abrir a sessão plenária emblemática, realizada nesta terça-feira, 23 de novembro, na Senzala do Barro Preto / Curuzu, sede do Ilê Aiyê. O Ilê, que tem história de combate ao racismo e foi pioneiro na construção de uma educação antirracista, recebeu a minuta do projeto de resolução que versa as leis sobre a educação das relações étnico-raciais e o Ensino da História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena (nº 10.639/2003 e 11.645/2008), além de protagonizar a criação de uma comissão permanente que visa trabalhar no combate ao racismo, ambas no âmbito do Sistema Estadual de Ensino.

O presidente fez uma análise da leitura racial do projeto de Anísio Teixeira, em que defende a educação em tempo integral, e não teve todas as suas ideias implementadas no Brasil por conta do Racismo Estrutural. “Infelizmente, a elite brasileira sabe que os maiores beneficiados de projetos como a Escola Parque são os povos negros, por isso eles não avançam nessa direção.  Quando a gente diz que a Educação pública foi muito boa, estamos falando de um momento em que a educação acontecia em dois turnos, para poucos e para brancos. Quando os negros passaram a ocupar espaços, a jornada diária da educação é reduzida para a menor do mundo, com simplificação da qualidade, abandonando às crianças em metade do dia. Anísio ainda fala que esse abandono é o bastante para desfazer o que a escola, por acaso, tenha feito na sessão matinal ou vespertina. Será que isso é coincidência? Seria absurdo da minha parte dizer que isso foi um projeto organizado conscientemente pela sociedade brasileira, mas eu pressuponho que isso se confirmou de forma muito especial em um país racista como o nosso”, correlacionou o presidente Paulo Gabriel.

Vovô do Ilê falou para os presentes sobre a história do surgimento do bloco afro e fez o link entre a escola pública, a Escola Parque, e o trabalho comunitário do Ilê Aiyê. “Eu sou oriundo da Escola Parque. Eu chegava nos lugares e dizia: Eu sou da Parque. E todos os fundadores do Ilê eram de escolas públicas, quando tivemos a ideia de fundar um bloco afro em plena ditadura”. O Vovô também falou da importância das ações do Conselho para a cultura afro e da visita às suas instalações. “Para nós do Ilê, foi surpreendente a visita do Conselho. Aqui na nova Senzala não é só um espaço de música, é um espaço de acolhimento, educação, cultura e festa. Nós começamos essa iniciativa para ajudar a cultura negra muito antes da Lei nº 10.639, então, acho que agora teremos uma retomada muito mais forte com essa parceria com o Conselho. Vamos ter mais ferramentas para desenvolver as propostas de palestras e oficinas sobre a cultura negra. Vamos ficar em um patamar muito maior ”.

A minuta de resolução sobre a Educação das Relações Étnico-Raciais e o Ensino da História e Cultura Afro-brasileira e Indígena foi entregue pelo conselheiro Ronaldo Barros diretamente ao Vovô, para que seja construída conjuntamente com a Ilê e toda a comunidade. O Conselheiro fez uma breve apresentação do documento, destacando que essa Resolução coloca a necessidade de cumprir a Constituição Baiana de 1989, que, no capítulo do negro e do índio, obriga o estado a ter um componente curricular em todos os processos de educação no estado da Bahia, seja ele público ou privado, civil ou militar. “Ela traz a obrigação do estado e todas as instituições mantenedoras de adequarem toda a produção didática e pedagógica, de formação do corpo docente e de formação continuada desses professores, sendo fundamental para a real efetivação dessas relações”.

Durante a sessão, também foi assinada uma portaria para a criação de uma Grupo de Trabalho Permanente, composto pelos presidentes das Câmaras e Comissões do CEE-BA, os conselheiros Ronaldo Crispim Sena Barros, Dinalva Melo do Nascimento, Eni Santana Barreto Bastos, Gelcivânia Mota Silva, Luiz Paulo Almeida Neiva e Nildon Carlos Santos Pitombo para propor medidas com vistas à promoção da igualdade racial no âmbito do Sistema Estadual de Educação. “Estamos na década dos povos afrodescendentes, estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU), e estamos no mês da Consciência Negra, em que a educação da Bahia tem esse desafio de enfrentar o racismo no seu sistema. Diante de várias denúncias e pronunciamentos apontando a existência de uma relação muito perversa de racismo na educação baiana, nada melhor do que o Conselho de Educação, responsável por esse sistema, vir ao Ilê Aiyê, na Senzala do bairro preto, e criar um grupo de trabalho para o combate ao racismo no sistema Estadual de Educação”.

Os conselheiros e equipe técnica do CEE-BA ainda visitaram a estrutura da Senzala do Barro Preto e presenciaram “uma tarde memorável. Tenho a certeza de que a educação libertadora sai mais forte nesse dia”, finalizou o presidente Paulo Gabriel Nacif ao chamar o diretor do Ilê Aiyê, Vivaldo Benvindo, para encerrar a sessão. Ele solicitou apoio para a manutenção dos projetos educacionais: Escola Mãe Hilda – uma instituição de ensino formal, de 1ª a 3ª série de ensino fundamental – que se destaca com uma grade curricular que contempla a cultura negra, e a “Escola de Percussão Banda Erê”. 

Fonte: Núcleo de Comunicação e Modernização- NCM

Recomendar esta notícia via e-mail:

Campos com (*) são obrigatórios.